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por Noelcir Bello

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Werner Edvino Wiemers nasceu no município de Antonina, em 11 de abril de 1934. Até 1942 morou lá, porém, por conta da guerra, sua família teve que sair, pois os descendentes de alemães foram obrigadas a deixar a área litorânea

Mudaram-se para Curitiba, na vila Tingui, onde viveram por muitos anos. Na região existia um local chamado Tanque do Bacacheri, muito frequentado por turistas, onde haviam barcos, trampolim e espaço para nadar. “Minha família ficou responsável por administrar este lugar. Eu lembro que as pessoas gostavam muito de assistir as minhas acrobacias que fazia no trampolim”, lembrou Werner.

Werner sempre foi apaixonado por esportes

Logo após a guerra, foi realizada uma competição paranaense de natação, da qual Werner se sagrou campeão. Também jogou futebol no Real e no Palestra Itália, foi atleta de corrida, ciclismo e montanhismo, onde praticava escalada técnica. Um verdadeiro campeão, nosso entrevistado possui dezenas de medalhas em sua casa. “Há 60 anos, eu e o meu grande amigo Vita escalamos o Pico do Marumbi. Desbravamos algumas fendas de difícil acesso e fomos responsáveis pela colocação dos ganchos que existem até hoje lá”, contou.

Por ser um exímio nadador, atravessou a nado de Pontal até a Ilha do Mel, através do conhecido canal da Galheta. “Desde os três anos de idade, meu pai me encorajava a enfrentar desafios. Daí é que veio a minha determinação e coragem para competir”, garantiu.

No futebol, foi tri campeão pela terceira divisão, jogando no time do Tingui, e também campeão pelo Real, no campeonato do SESI, depois, já na primeira divisão do Paranaense, foi campeão aspirante pelo Palestra Itália. Na ocasião, foi convidado pelo Coritiba e outros clubes para ser atleta profissional, mas não aceitou.

Criador de dois famosos barcos

Foi carpinteiro naval e desenhista do departamento técnico nos móveis Cimo, famosos na época. Então, começou a trabalhar com o pai em um estaleiro, onde fabricavam barcos esportivos. Fabricaram o Barco Bistra, com treze metros de comprimentos. Só o lastro pesava 3.000 mil quilos e o barco mais 11.000 mil quilos. O Bistra foi encomendado pela família Hauer e até hoje está no Iate Clube de Paranaguá, em exposição.

Com sua segunda esposa, dona Tereza, que era enfermeira e atendia na região onde hoje está localizada a cidade de Pinhais, se mudou para o Palmital. Nessa época, Werner construiu o Barco Araucana, que hoje está no Iate Clube de Paranaguá. Este foi encomendado pelo amigo Trajano Bastos. O Araucana foi levado em um caminhão pela Estrada da Graciosa até Pontal do Sul, para ser colocado na água.

Para ir até Curitiba trabalhar, Werner contou que ai andando até onde hoje fica a Rodovia João Leopoldo Jacomel para pegar o ônibus, que vinha da sede do município de Piraquara. Para ir ao Marumbi, pegava o trem na Avenida Airton Senna. Havia também uma linha regular de trem, que saia todos os dias de Curitiba à Paranaguá, mais barata que o ônibus. Seu Werner não gostava muito de dirigir seu fusquinha, por isso sua mulher era a responsável pelas compras.

Após o falecimento da segunda esposa, Werner ficou viúvo por quatro anos, apesar de conhecer a atual esposa Dalva, que inclusive cantavam juntos nos encontros para escaladas com outros amigos em comum.

A grande amizade que virou casamento

Dona Dalva, atual esposa de Werner, era solteira quando Werner ficou viúvo. Por ser montanhista e também gostar de música, os amigos começaram a aproximar os dois. Dalva era terapeuta e um dos casais que ela atendia se casou, então Dalva e Werner acabaram se encontrando na festa, já que eram amigos em comum do casal.

Um amigo do montanhismo a convidou para uma festa de aniversário, mas neste dia ela recusou a carona do Werner para voltar para casa. Só então no aniversário de outra amiga em comum, que era professora, após levar Dalva em casa, foi que Werner deixou seu número de telefone com ela. Mais tarde ela ligou para ele e começaram a conversar mais, mesmo sabendo que ele era teimoso e que o melhor amigo do Werner, Paulo Henrique Schmideler, o popular Vita, já havia avisado. Ela passou a gostar cada vez mais de Werner, por admirar tamanha sabedoria, segunda ela.

Já se passaram treze anos de convivência, com muito respeito e amor. Os dois formam uma bela dupla e cantam juntos quase todos os dias. Ele toca violão e ela é dona de uma belíssima voz, que inclusive cantou por 50 anos a música Ave Maria em centenas de casamentos. Dalva é irmã do Paulinho, guitarrista do Blindagem.

Conhecido como papai Noel

Desde a década 70, seu Werner conserva a barba e cabelos longos. Diversas gerações passam diariamente em frente à casa do casal e chamam carinhosamente o seu Werner de Papai Noel. No entanto, apesar de inúmeros convites para atuar como Papai Noel, o nosso entrevistado, portador de uma bela barba branca, nunca aceitou atuar como tal.

Dalva e Werner formam um casal muito amável, acolhedor, cercados por cultura, filosofia, amantes da natureza e do ser humano. Além de uma incrível cantora, Dalva compõe belas músicas e ainda está escrevendo um livro para contar a história de sua mãe. Adoram cantar juntos e ouvir boa música. Ainda conservam fitas cassetes, discos de vinil, além dos CDs e milhares de músicas no Pen Drive.

Um comentário para “Werner Edvino e Dona Dalva formam uma dupla perfeita no amor e na música”

  1. César Augusto Ferrazza

    Conhecido nas montanhas como Tarzan. Foi e está sendo um ótimo vô!
    Ele me levou várias vezes para o morro do anhangava e Marumbi. As férias levava todos os netos e filhos de amigos para Antonina, era uma bagunça só!
    Nunca tive coragem de pedalar com ele porque não queria atrapalhar o ritmo, não me achava capaz de acompanhá-lo!
    Ti AMO vô e graças a você tive uma infância cheia de emoções!

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