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Às 19 horas e 20 minutos da noite de domingo (28), O TSE confirmou a eleição do futuro Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (PSL), com 55,13% dos votos válidos contra 44,87% de Fernando Haddad (PT). Uma vitória que confirmou os prognósticos apontados pelas últimas pesquisas de intenção de voto e pela maioria dos analistas políticos. Depois de uma campanha das mais turbulentas na história do País, uma disputa muito polarizada, é hora de buscar a união da população em prol do objetivo maior, o fortalecimento da democracia.

Pessoalmente, sobre Bolsonaro, nunca o enxerguei como o candidato ideal, porém, dentro do cenário eleitoral apresentado, o presidente eleito foi o que me pareceu mais adequado e de mais credibilidade, no momento, para enfrentar a difícil “missão” de dar ao Brasil um novo rumo e uma nova esperança aos brasileiros, a partir de 1º de janeiro de 2019. Acredito que muitos dos 55 milhões de eleitores que o elegeram, o escolheram porque viram nele a melhor alternativa para tirar o País da imensa crise, nas áreas economica e de segurança pública, com ênfase na questão dos valores éticos e morais, que vêm corroendo o Brasil nos últimos anos. A eleição de Bolsonaro, em meu entendimento, foi uma resposta da população ao PT, e a tudo que suas principais lideranças trouxeram de decepção e desesperança, traduzidos pelos propinodutos, os desmandos e a desfaçatez no trato com a coisa pública, bem como o descaso e incompetência na gestão de áreas essenciais como segurança pública, saúde, educação, além da condução da economia, gerando déficit fiscal, desemprego, inflação e, por consequência, mazelas sociais que nem o Bolsa- Família e tantos outros programas sociais implantados pelo Partido dos Trabalhadores conseguiram contornar.

Nem PT, nem Bolsonaro

Ou seja, uma expressiva parcela desse eleitorado do Bolsonaro representa justamente esse grito de “basta” a tanta insatisfação trazida pelo PT e seus aliados no Poder Federal. Conforme a jornalista Miriam Leitão disse na Globo News, evidentemente, nem todos que votaram no Bolsonaro assim o fizeram por considerá-lo o candidato ideal. Foi muito mais um voto de quem disse ‘não’ ao PT e ao atual cenário nacional, dominado pela corruptocracia e incompetência administrativa, onde a maioria das lideranças tem demonstrado falta de compromisso com a ética, a honestidade, imperando o caos na esfera pública. Um caos que se reflete, inclusive, na sociedade, e também no ambiente universitário, a partir de comportamentos de libertinagem generalizada e da ditadura do pensamento único. Não raro, as universidades, em especial, as públicas, tornaram-se um grande viveiro de propagação da hegemonia cultural de esquerda, onde quem discorda de seus conceitos e valores é automaticamente tachado de “intolerante”, “ fascista”, “homofóbico”, “nazista”, “antidemocrático” e outros rótulos intimidadores, criados para encerrar qualquer debate de ideias. Contudo, com relação às palavras de Miriam Leitão, o jornalista Heraldo Pereira acrescentou que grande parte dos eleitores de Haddad, neste segundo turno, também não votaram propriamente no petista. Foi, também, uma forma de dizer “não” a Bolsonaro. Ou seja, os dois candidatos receberam muitos votos como forma de protesto. Não quero o PT, voto no Bolsonaro. Não quero Bolsonaro, voto no Haddad. Sem contar os eleitores que não digeriram nem um, nem outro. Preferiram votar nulo ou branco

Surfando na onda “Bolsonarista”

O sentimento de rejeição, de repúdio, a um cenário caótico em todos os sentidos, além de eleger o Capitão, foi muito bem capitalizado por outros candidatos a deputado ou governador. A disputa foi definida em muitas localidades a partir, também, da defesa das bandeiras de Bolsonaro, a exemplo do antipetismo, de melhorias na segurança pública e valores da família cristã. Na corrida pelo Governo de São Paulo, por exemplo, os candidatos Márcio França (PSB) e João Dória (PSDB) disputavam o apoio do ‘Mito”. No Rio de Janeiro, o governador eleito Wilson Witzel (PSC), que iniciou a campanha como um Juiz totalmente desconhecido do grande público, conseguiu vencer o experiente Eduardo Paes. Em Santa Catarina, a vitória do Comandante Moisés (PSL) foi outro exemplo emblemático do cacife eleitoral de Bolsonaro, também levando ao poder um candidato menos cotado inicialmente. Nos estados de Roraima e Rondonia, mais dois governadores eleitos com o apoio do Capitão.

E assim aconteceu com a eleição de muitos parlamentares, que souberam surfar muito bem na onda “bolsonarista”, em diversos estados. Em São Paulo, destaque para a eleição de Joice Halsseman-PSL (com um milhão de votos para deputada federal), Janaina Paschoal – PSL (com dois milhões de votos para deputada estadual) e Eduardo Bolsonaro – PSL (eleito com quase dois milhões de votos para deputado federal). No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro – PSL foi eleito senador com 4.380.000 votos. Já no Paraná, o Delegado Francisco Francischini – PSL foi eleito deputado estadual com uma gigantesca votação, 427.749 votos. Ainda no Paraná, o PSL teve os dois mais bem votados para deputado federal. Sargento Fahur (314.963 votos) e Felipe Francischini (241.537 votos).

O PT e o Nordeste

Quanto ao PT, o partido demonstrou ainda ter muita força no Nordeste, onde conseguiu eleger alguns governadores. E foi esta a única região do País que Fernando Haddad obteve mais voto que Bolsonaro. No entanto, a minha expectativa é de que, a partir de 2019, o presidente eleito governe de forma igualitária para todos os brasileiros. Com atenção especial à promoção de políticas públicas que realmente emancipem a população do tradicional “cabresto eleitoreiro”, indo muito além do assistencialismo, a partir de investimentos em educação, saúde, infraestrutura e geração de empregos. É disso que mais precisa o sofrido povo nordestino para que tenha uma vida digna e independente de políticas geradoras de dependência do Estado.

Imprensa em ação

Vale menção, ainda, ao comentário que ouvi, no domingo, na rádio CBN, em que associou-se a eleição de Bolsonaro a grande possibilidade de o país tornar-se uma Venezuela. Disse o tal comentarista, do qual não lembro o nome, que, na Venezuela, gradualmente, o então presidente Hugo Chávez foi instalando uma ditadura, com o intuito de perpetuar-se no poder. Chávez, segundo o comentarista, teria feito um bom governo inicialmente, mas, pouco a pouco, tomou gosto pelo poder, instalando um processo de destruição da democracia. Comentário, em meu entendimento absolutamente desfocado da realidade, uma vez que a política bolivariana do país vizinho é de esquerda, não de direita, como é política proposta por Bolsonaro. Já o jornalista Merval Pereira, da Globo News, fez questão de frisar os 45% do eleitorado que não escolheu Bolsonaro, lembrando que Lula foi eleito em 2012 com cerca 60% dos votos válidos . Merval concluiu, então, que o capitão não estaria recebendo um cheque em branco da população para governar a seu bel prazer, uma vez que há um percentual nada desprezível do eleitorado que o rejeita. Esses comentários não ficaram muito claro para mim. Estaria a Rede Globo já mandando um recado que seria vigilante às ações do Governo Bolsonaro, ou os comentários foram um aviso de que não haverá tréguas um só dia?

De olho em 2022

Aliás, a declaração de Ciro Gomes (PDT) também não dever ser esquecida. O pedetista disse que fará oposição a Bolsonaro. Ciro demonstrou estar disposto a ficar no encalço do presidente eleito desde o primeiro dia de mandato, antecipando-se em relação a eventuais erros e dificuldades. O próximo governo nem começou, mas tudo o que lhe interessa é opor-se ao adversário. Certamente, o objetivo é fortalecer-se para uma disputa presidencial em 2022.

Quanto a Haddad, em seu discurso no domingo, houve destaque para um movimento de resistência, no tom de ‘a luta continua”, também enfatizando mensagem de que um “ terceiro turno” estaria sendo planejado a partir de pautas de oposição bem definidas. O “Haddad paz e amor” do segundo turno desapareceu. Candidato de votação irrisória no primeiro turno, muito abaixo do desconhecido Cabo Daciolo (Patriota), Guilherme Boulos, do PSOL, foi outro que também mandou recado nada amistoso. Em nome da resistência da esquerda radical, Boulos Já convocou o povo para as ruas. O líder do Movimento dos Sem Teto deve ter o direito da livre manifestação e expressão. Porém, o desejável é que haja respeito à ordem, ao patrimônio (público e privado) e, em especial, às pessoas que não apoiam tal movimento de resistência. O fiasco eleitoral chamado Boulos, que vive de promoção do caos social e invasão de imóveis, não pode esquecer que há uma grande maioria que prefere a ordem. E acreditando nisso, festejou em todo o país a eleição de Bolsonaro. Comemoraçõesque também aconteceram no Nordeste, em todas as capitais, mesmo nos estados em que o candidato petista obteve a maioria de votos. Tolerância e respeito aos que pensam diferente seriam muito bem-vindos ao movimento de resistência.

Pé-no-chão daqui pra frente

Quando se pergunta sobre o que esperar do governo Bolsonaro,o que está muito claro é a necessidade de prudência diante da tentação de inflar as expectativas. Não seria sensato fechar os olhos para dificuldades que deverá enfrentar o presidente eleito. O fanatismo nunca foi bom conselheiro, assim, devemos ter ciência das fragilidades do futuro governante da nação. Mas, convém lembrar, também, da avaliação do jornalista Merval Pereira, que disse que Lula foi eleito com votação muito maior que Bolsonaro. Se tivesse oportunidade, responderia ao jornalista que, possivelmente, esse foi um dos motivos do desastre do PT no Governo Federal. O excesso de confiança de Lula e equipe, por votação tão expressiva, fez com que se sentissem muito à vontade no poder, com a sensação de que a população passou-lhes um cheque em branco e que poderiam fazer o que bem entendessem, pois ninguém estaria vigilante. Com Bolsonaro, acredito que será diferente. Enfrentará dura oposição no Congresso e em setores diversos na sociedade, entre os movimentos sociais, também. Mais um ponto positivo para o povo, afinal, Bolsonaro e equipe terão de andar na linha se quiserem obter aprovação popular. O povo já não dorme mais como antes. A maior parte da população acordou e, acredito, deverá estar muito vigilante ao próximo governo, sempre cobrando o atendimento de reivindicações e o cumprimento de compromissos de campanha.

Fortalecimento da democracia

Penso que a democracia sai mais fortalecida após essas eleições. Tudo o que se espera do Governo Bolsonaro é que o país adquira padrões de ética aceitáveis, que professores sejam valorizados não apenas por salários melhores, mas por respeito em sala-de-aula. Que a educação seja vista como uma oportunidade de aprender a pensar, ao invés de espaço de doutrinação ideológica. Que os rótulos discriminatórios sejam esquecidos em troca de um debate de ideias produtivo e respeitoso. Que haja mais paz nas ruas, com mais segurança pública e respeito e tolerância a todos, sem que as pessoas sejam classificadas por raça, orientação sexual, expressão de gênero, ou classe social. No seu lugar, que entre o mérito pessoal, a conduta ética e o caráter. Vida digna para todos, entre brancos, negros, pardos, índios, ricos, pobres, homossexuais e heterossexuais, enfim. E que o País seja colocado acima de interesses partidários. Que nossa bandeira prevaleça no lugar de símbolos de partidos e ideologias. Que o Hino Nacional seja cantado novamente com orgulho, especialmente nas escolas. E que nossas Forças Armadas sejam respeitadas como defensoras da pátria, diante de riscos à soberania nacional.

Reequilíbrio de forças políticas

Destaco que não tenho nada contra o PT, inclusive respeito, e muito, algumas lideranças que estavam ou ainda estão no partido. Porém, não posso concordar com tanta corrupção denunciada nos governos Lula e Dilma. No meu entendimento, a vitória de Bolsonaro foi uma reação de equilíbrio de forças, a exemplo do movimento do pêndulo, que quando é puxado para um lado extremo, tende a atrair um movimento oposto, visando reequilibrar-se. Meu desejo é que Bolsonaro seja o presidente de todos, sempre buscando o consenso, o diálogo, não se esquecendo que deve governar também para aqueles que não votaram nele, por pensar diferente.

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