Curitiba mantém viva a tradição das feiras livres, um hábito que atravessa gerações desde o século 19, quando imigrantes poloneses e italianos começaram a comercializar seus produtos no Centro da cidade. Hoje, com 74 feiras espalhadas pela cidade, todo dia é dia de feira na capital paranaense. Além de serem espaços de abastecimento, elas também se tornaram pontos de encontro e lazer para a população.
Dedicação e amor pela profissão
Os feirantes de Curitiba começam suas jornadas antes mesmo do sol nascer. Acordam de madrugada para buscar os produtos mais frescos e montar suas bancas, enfrentando chuva ou frio.
Dalmir Jarek, feirante há 40 anos, conta que começou a trabalhar desde muito jovem. “Comecei aos 15 anos como funcionário de uma banca. Aos 18 virei sócio e, aos 20, comprei a minha própria banca. Conheço meus clientes pelo nome e, muitas vezes, lembro do que precisam antes mesmo de pedirem. Tem gente que liga e pede ‘o de sempre’, e eu já sei exatamente o que é”, disse Jarek.
Sérgio Koga, que trabalha há mais de 50 anos em feiras e é da terceira geração da família no ramo, também fala com carinho sobre a profissão. “Gosto de lidar com o povo, ouvir histórias. Fiz muitos amigos e já atendo a quarta geração de algumas famílias. Vender comida de qualidade e satisfazer as pessoas é o que me motiva todos os dias”, relatou.
Olivio Trevisan, feirante há mais de três décadas, reforça a importância das feiras para a cidade. “A feira é mais do que um local de compras, é um espaço de convivência. A gente conhece os clientes pelo nome, sabe o que gostam e cria um vínculo. Trabalhamos duro, começamos cedo e enfrentamos qualquer clima para garantir que tudo esteja pronto quando os clientes chegam”, afirmou ele.
Clientes fiéis
Os clientes das feiras livres de Curitiba também valorizam a qualidade dos produtos e o atendimento personalizado dos feirantes. O casal de aposentados Elvira e Pedro Simões faz questão de frequentar a Feira do Ahú toda semana.
“Moramos pertinho e adoramos a qualidade dos produtos. Os feirantes já sabem o que gostamos. Sempre levamos mandioca, porque a que eles vendem cozinha de verdade”, observa Elvira.
Já Jonatas Weigert, gerente de vendas, frequenta a feira desde criança e hoje leva a família para manter a tradição.
“Minha avó morava aqui no bairro e eu vinha sempre com ela. Agora moramos na região e toda quinta-feira estamos aqui, a não ser que esteja chovendo muito. A qualidade dos produtos e o pastel são os grandes atrativos para nós”, destacou Jonatas.
Avanços para feirantes
A Prefeitura de Curitiba tem investido na modernização das Feiras livres para facilitar o trabalho dos feirantes e melhorar a experiência dos consumidores. O prefeito Eduardo Pimentel assinou, no último dia 10 de março, o decreto 905, que prevê a renovação automática das permissões para os feirantes, a possibilidade de abertura de CNPJ e a criação de uma plataforma digital para divulgação dos produtos e localização das feiras.
“As feiras fazem parte da cultura curitibana e são essenciais para levar alimentos frescos e de qualidade à população. Com essas novas medidas, garantimos mais segurança e oportunidades para os feirantes, além de melhorar a experiência dos consumidores”, afirmou o prefeito.
Além disso, foi lançado um novo chamamento público para abrir 150 novas vagas em 55 feiras da cidade, ampliando ainda mais a oferta de produtos e incentivando o empreendedorismo.
Papel essencial
O secretário municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, Leverci Silveira Filho, destaca que as feiras desempenham um papel essencial na segurança alimentar e na economia local. “As feiras são fundamentais para a democratização do acesso aos alimentos de qualidade e para o fortalecimento da economia familiar. Os feirantes são trabalhadores dedicados que garantem alimentos frescos e variados à população, além de promoverem um ambiente de sociabilidade e troca de conhecimento sobre alimentação saudável”, salientou Leverci.
Encontre uma feira
Curitiba conta com 74 feiras, entre diurnas, noturnas, de orgânicos, gastronômicas, “direto da roça” e Nossa Feira, que reúnem aproximadamente 375 feirantes. As feiras livres são coordenadas pela Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional e comercializam especialmente hortifrutigranjeiros em ruas, praças e parques, em dias e horários pré-definidos. Nos pontos do Nossa Feira, frutas e verduras são vendidas ao preço máximo de R$ 3,99 o quilo.
As feiras livres também oferecem frios, carnes, pescados, massas, biscoitos, cereais, alimentos prontos para o consumo, produtos orgânicos, e uma linha de confecções e acessórios como luvas, meias; brinquedos, cosméticos, entre outros itens.