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por Fernanda Foggiato

Foto: Chico Camargo/CMC

Ailton araujo

A última sessão ordinária desta legislatura foi marcada por discursos de despedida tanto de vereadores que estarão na 17ª legislatura, com posse em 1º de janeiro de 2017, quanto de parlamentares que não se reelegeram ou não se candidataram a uma cadeira na Câmara Municipal de Curitiba. “Devemos colocar toda espécie de poder sob os pés, para que não suba à cabeça”, sugeriu o ex-presidente Paulo Salamuni (PV), que se despediu da Casa com homenagens dos colegas. “Aqui estão os legítimos representantes da cidade de Curitiba, com o crivo das urnas.”

Primeiro orador do pequeno expediente, Dirceu Moreira (PSL) discursou emocionado. “Venho apenas para agradecer. Refletia hoje um pouco, de minha bancada, sobre os oito anos que tive a honra de servir o Poder Legislativo. Saio com a sensação de dever cumprido. Apresentei mais de 170 projetos de lei. É apenas uma pausa. Um até breve, porque continuarei a política do bem. Meu escritório político agora será no Boa Vista”, afirmou. O parlamentar lembrou dos problemas de saúde que teve, que dificultaram a campanha. “Sou grato a Deus pelos 4.200 votos conquistados.”

Chicarelli (PSDC) também se emocionou: “Confesso que foi o maior aprendizado da minha vida. Pude receber e atender cidadãos, pessoas humildes. Vou continuar lutando e vou melhorar mais ainda”. Chico do Uberaba (PMN), que também não se reelegeu, foi o orador seguinte do pequeno expediente. Após críticas à Prefeitura de Curitiba, que chamou de “gestão pífia” e “vingativa”, disse que sai “de cabeça erguida”. “Fui vítima também desta Casa, principalmente da área que acompanha o atual prefeito, e tenho provas, milhares de provas.”

Uberaba também afirmou ter sido “vítima da imprensa”: “Eu tive ameaça de morte, senhoras e senhoras, e nem por isso abaixei a cabeça. Onde eu estiver, no quadro da prefeitura, atenderei a todos por igual. Não sou um cara vingativo, mas sou observador. Quero agradecer por tudo de bom que aprendi”. No final da sessão, após a segunda chamada, quando os vereadores puderam discursar por cinco minutos, ele retornou à tribuna e agradeceu servidores da Casa, ao presidente Ailton Araújo (PSC) e desejou sucesso à próxima legislatura. “Vou levar boas recordações daqui.”

“Também há oito anos deixei este Parlamento de forma abrupta. Tinha feito uma grande votação e não fui eleito, mas quis o destino que eu retornasse [em 2013], então muitos de vocês retornarão”, continuou, no pequeno expediente, Jorge Bernardi (Rede), que assim como Salamuni foi candidato a vice-prefeito e não se elegeu. “Não sabemos o que nos reserva o amanhã. Nenhum de nós nasceu vereador. O mais importante é nunca nos apegarmos a nada, o apego é a causa de todo o sofrimento. Tudo que tem um começo tem um fim. O mais importante é deixar uma marca que seja lembrada por muito tempo como algo positivo.”

Aldemir Manfron (PP) destacou os sete mandatos como vereador de Curitiba, período em que acompanhou a gestão de sete prefeitos, de Jaime Lerner a Gustavo Fruet. “Sempre fui fiel ao Executivo e deixei aqui um legado muito especial. Devo muito à comunidade curitibana”, disse ele.

Além de agradecer aos vereadores e aos servidores, Edson do Parolin (PSDB) lembrou “das tias da limpeza, dos seguranças”. “Com oito meses [após a renúncia de Valdemir Soares] não consegui fazer muita coisa. Como diz a Julieta [Reis], até logo”, acrescentou. Ele desejou que os colegas “lutem por Curitiba, por habitação, muito asfalto, creches, pela saúde.” “Vocês têm um amigo no Parolin.”

“Nesses quatro anos em que a gente viu uma cidade ser transformada mostram que vale a pena sim acreditar na vida pública. Faço parte de uma geração que vai às ruas. Tem gente de bem na política sim”, discursou, também emocionada, Carla Pimentel (PSC).

“5.200 votos é uma grande votação, que mostra que a população sempre viu nosso trabalho”, apontou Jonny Stica (PDT). Ele recordou da trajetória iniciada no movimento estudantil e das bandeiras nos dois mandatos, culminando no trabalho como relator na revisão do Plano Diretor de Curitiba. “Quando entrei, com 25 anos, era o único jovem. Agora saio com 33 anos e dois mandatos, todas as experiências positivas que poderia ter tido. Fui presidente duas vezes da Comissão de Urbanismo, vice-líder do prefeito, presidente da Comissão de Educação. Saio tranquilo, com a missão cumprida, pronto para os novos desafios que a vida tem a oferecer.”

Reeleitos, Professora Josete (PT) e Serginho do Posto (PSDB) também apresentaram balanços do mandato e da legislatura. “Estou indo para o quarto mandato e é mais um desafio que se abre. Podemos ter divergências, mas acho que isso é importante para nosso crescimento como seres humanos”, afirmou a vereadora, que também lamentou a aprovação da PEC do Teto dos Gastos Públicos. “O governo aderiu à lógica internacional e abriu as portas do país ao setor financeiro. Mas ninguém questiona os juros.” Serginho do Posto, por sua vez, avaliou que esta legislatura “apoiou 100% o Executivo”.

Homenagens ao presidente

Julieta Reis (DEM) foi a primeira vereadora a agradecer a condução dos trabalhos por Ailton Araújo, que não se candidatou à reeleição. A direção, em sua avaliação, foi feita com “tranquilidade”. Primeiro vice-presidente, Felipe Braga Côrtes (PSDB) destacou sua postura e declarou que “estamos todos no mesmo barco. O que é feito errado repercute mais na imprensa, e é assim em todo o mundo, e afeta todos nós. Que esta Casa seja respeitada e se faça respeitar”.

“Ele me disse muitos ‘nãos’, mas todos fundamentados. Aprendi muito. Esses dois anos [na presidência] foram de doação. O senhor foi um embaixador do bem, um embaixador de Cristo”, avaliou Noemia Rocha (PMDB). Primeiro-secretário da Comissão Executiva, Pedro Paulo (PDT) salientou a “coragem de decidir” do presidente, “sem arredar pé da palavra, o que na política é sagrado”. Ele falou do desafio de dirigir a Casa nos últimos dois anos e fez agradecimentos aos servidores da Câmara e de seu gabinete.

“Eu adotei dois princípios. O que é errado é errado, e aquilo que é certo é certo, mesmo que ninguém faça. Mesmo seguindo esses princípios a gente comete equívocos. Nunca tive e não tenho intenção de prejudicar ninguém. Vou ter que responder a Deus”, respondeu Araújo. “Passei momentos difíceis. Da minha esposa perguntar se estava adoente. Está nas mãos dos novos vereadores o futuro da nossa cidade. Ele [o prefeito] não pode assinar nada que esta Câmara não tenha autorizado. Que Deus abençoe vocês.”

“Quero agradecer aos funcionários da Casa que viram o presidente como um cara fechado e mesmo ruim, e pela dedicação deles”, continuou Araújo. Ele também destacou o trabalho do primeiro e do segundo-secretário, Paulo Rink (PR), para “descascar abacaxis”. “Talvez o Pedro Paulo pagou até com sua própria reeleição, porque ao invés de sair fazer campanha estava aqui ajudando a resolver problemas. Você foi uma grata surpresa.”

“Aprendi muito”

Encarregado de mediar a relação do Legislativo com a Prefeitura de Curitiba, no Gabinete Técnico-Legislativo, Paulo Valério também usou a tribuna para agradecer pela convivência durante a legislatura. “Eu, que sou advogado da área eleitoral há mais de 20 anos, posso dizer que aprendi mais nestes quatro anos do que em todo aquele tempo”, declarou.

“Nossa vida não é só números, mas nesse período foram mais de 270 mensagens do prefeito para a Câmara. Eu precisava agradecer aos vereadores, que me acolheram e com quem eu estive diariamente tratando dos assuntos da administração da cidade. O Brasil está mudando. Aqueles que continuam na política vão sentir isso”, comentou.

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