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por João Aloysio Ramos

Um fenômeno que tem despertado profundas reflexões sobre os movimentos de esquerda no Brasil, nesses últimos anos, são determinadas posturas bastante diferentes das que historicamente sempre estiveram engajados. Para mim, algumas atitudes se apresentam incoerentes, mas, contudo, posso estar enganado por, simplesmente, não ter alcançado ainda uma compreensão exata do que realmente, atualmente, defendem e o que motiva tais movimentos.

Vilipêndio a símbolos católicos

Algumas dessas situações que muito me chamam a atenção vêm de grupos ligados, por exemplo, a Juventude Socialista, que têm denegrido e vilipendiado imagens relacionadas a símbolos e iconografia da Igreja Católica. Há poucos dias, vi, nas redes sociais, jovens debochando de uma imagem de Jesus Cristo, num ato de clara expressão de repúdio ao Cristianismo. Não são raros, também, protestos de grupos feministas, movimento intimamente alinhado à ideologia de esquerda, em que mulheres escracham e destroem símbolos da Igreja Católica, como a queima de crucifixos e outros atos que expressam repúdio a religião cristã. Peças teatrais produzidas por entidades ligadas ao movimento LGBT – outro grupo alinhado com a esquerda – também já causaram muita polêmica, a exemplo do uso de um personagem de Jesus Cristo travesti. Soube, recentemente, do lançamento de um desfile relacionado à temática ‘Jesus Gay’. Uma clara tentativa de transformar o sagrado em profano, algo que seria cômico se não fosse trágico, caros leitores.

PT e a Teologia da Libertação

Por outro lado, o próprio Lula já chegou a afirmar que o PT conquistou o poder com o apoio da base da Igreja Católica. Inclusive, o ex-presidente encomendou uma missa pública em homenagem a D. Marisa, horas antes de ser levado à carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. A Teologia da Libertação, aliás, serviu de ferramenta fundamental para inserir nas comunidades eclesiais de base o pensamento ideológico socialista, arregimentando muitos fiéis católicos para a causa revolucionária. A história do Partido dos Trabalhadores está intimamente atrelada à Teologia da Libertação, que tem em Frei Betto e Leonardo Boff seus dois principais teólogos brasileiros. Sendo assim, considero uma grande incoerência verificar grupos e movimentos alinhados à esquerda adotando uma postura agressiva, hostil e provocativa em relação ao Cristianismo.

Até, porque, há católicos bastante simpatizantes da ideologia socialista, sendo, inclusive, tradicionais eleitores de partidos de esquerda. Tais eleitores não encontram nenhum antagonismo entre princípios e valores cristãos e a ideologia de esquerda. Ao contrário, alguns deles veem na figura de Jesus Cristo uma pessoa que, na essência, pregou muitos valores e posturas compatíveis ao socialismo, a exemplo da defesa dos mais pobres, da justiça social perante governantes injustos e do respeito e amor ao próximo sem discriminação de raça e de classe social. Gostaria de entender melhor o que leva esses grupos a adotarem tal postura, inclusive em eventos “artísticos”. O caso mais famoso nas artes foi a exposição ‘QueerMuseu’, lançada em 2017, organizada pelo movimento LGBT com patrocínio do banco Santander, e que gerou um grande repúdio por parte da sociedade conservadora e cristã, em razão de alguns conteúdos considerados ofensivos e imorais.

Apoio de mal gosto

Uma situação que chamou bastante minha atenção esses dias, nas redes sociais, e que não condiz com a causa contra o estupro e toda forma de violência à mulher, defendida pelas deputadas, senadoras e militantes de esquerda, foi ver a deputada Manuela D’Ávila (PC do B), vice de Haddad (PT), demonstrar apoio e pedir voto para a funkeira Mc Carol de Niterói. Caros leitores, se não conhecem a música da referida MC, não estão perdendo nada. Dei-me ao trabalho de pesquisar seu repertório e verifiquei que tais letras denigrem a imagem da mulher, incentivando agressões e estupro. Num dos funks interpretados por MC Carol de Niterói, a cantora pede para que seus “machos” a chamem de bandida, vagabunda e lhe deem “porrada”. E por aí afora. Uma coisa horrorosa, de uma baixaria sem limite. Um grosseiro desrespeito às mulheres e um notório incentivo à violência e abusos de gênero. Pô… “Manu”, podíamos ter passado sem essa… E, aí, eis minha grande questão: Onde está a coerência em Manuela D´Ávila, uma deputada feminista que tanto discursa por direitos iguais e contra a violência às mulheres?

Desprezo a símbolos nacionais

Outro aspecto que tanto me custa entender são os constantes desrespeitos a símbolos nacionais, a exemplo da bandeira brasileira, que já foi vista sendo queimada em protestos de alguns partidos da esquerda radical. Aliás, é raro, ou inexistente, encontrar a bandeira do Brasil em manifestações dos partidos de esquerda. O que vemos são as bandeiras vermelhas dos referidos partidos. Qual seria o propósito de não ostentarem e, até, destruírem, algumas vezes, nossa bandeira? Afinal, estamos no Brasil e acredito que a luta de todo brasileiro, independentemente de ideologia ou partido, deve ser em prol dos interesses da própria pátria, da nação brasileira. Ou não?

Crescimento da direita conservadora

É por essas e tantas outras que, deduzo, verificamos um grande crescimento da direita brasileira, em específico, do movimento conservador, que tem no candidato Jair Messias Bolsonaro (PSL) sua grande e única expressão como liderança. Uma parcela expressiva do povo brasileiro está cansada de tantas manifestações da esquerda que lhes soam ofensivas ou, no mínimo, provocativas. Tais brasileiros encontraram maior respaldo a suas demandas, ideias e valores no conservadorismo representado por Bolsonaro. Muito possivelmente, a liderança de Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto são o mais nítido reflexo de um movimento de oposição às posturas extremas da esquerda, representando uma forte reação a tudo isso que está aí, como se costuma dizer. E que não mais atende às necessidades e valores de grande parte dos eleitores.

Ataques ao “mito” na Record

Aliás, complementando minhas observações sobre o cenário eleitoral, a propósito, sobre o debate entre presidenciáveis da Rede Record, realizado no domingo (30), à noite, o candidato Bolsonaro, mesmo não estando presente, foi o mais “citado” pelos demais. Curiosamente, mesmo sem sua participação, o “mito”, como é chamado por seus seguidores, centralizou o debate. Conforme o candidato Cabo Daciolo (Patriota) disse, “parece um jogo de vôlei, onde um levanta a bola para o outro atacar”, em referência ao foco de todos em combater o líder nas pesquisas.

Agora, só nos resta aguardar o domingo, dia 7, para ver quem está com a razão. A esquerda de Haddad, Ciro, Boulos e, também, Marina, junto com o “Centro” de Alkmim, Meireles, Amoedo, Alvaro Dias e outros, ou a Direita conservadora de Jair Bolsonaro?

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