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A Secretária Municipal de Saúde, Adriana da Silva Jorge Carvalho destaca que o município tem ido além do que determina a Constituição Federal, investindo mais que o percentual mínimo exigido de 15%. Em média, Pinhais tem investido, de 2013 a 2019, cerca de 22%, anualmente. Nesta entrevista exclusiva ao jornal A Gazeta Cidade de Pinhais, a Secretária destaca os avanços e desafios na área, uma das mais complexas da gestão por demandar parcerias com a esfera federal e estadual para que a saúde pública funcione a contento a todos os usuários do SUS – Sistema Único de Saúde.

A Gazeta Cidade de Pinhais: Com a inauguração da UPA 24 horas de Piraquara, houve uma expectativa de redução nas filas da UPA – Unidade de Pronto Atendimento 24 horas de Pinhais. Houve realmente essa redução?

Secretária Adriana da Silva Jorge Carvalho: Houve uma expectativa de redução de 30% na demanda. Identificamos inicialmente uma redução, porém, na continuidade, essa redução não revelou-se muito significativa, ficando em apenas 10%. Como a UPA garante o acesso a qualquer usuário, não importando de onde venha, pacientes de Piraquara que moram próximo a Pinhais, como do Guarituba, além de outros bairros vizinhos, voltaram a buscar atendimento aqui. Há ainda moradores de Curitiba que aqui trabalham que buscam atendimento, enfim, e de outros municípios como, Colombo, somam cerca de 25% dos usuários.

 

A Gazeta: Quais os dias de picos na demanda por atendimento na UPA 24 horas?

Secretária Adriana da Silva: As segundas e sextas são os dias mais atípicos, em que o movimento é maior, muitas vezes, em razão de pedidos de atestado médico. Há situações emergenciais que são para atendimento só na UPA, mas, outras, não, e que podem ser atendidas nos postos de saúde. Outra orientação importante do Ministério da Saúde é que nem todo atendimento necessita ser feito por médicos, na UPA. O paciente costuma confiar apenas no atendimento de um médico, porém, há demandas que podem ser atendidas por uma nutricionista, um profissional de enfermagem. Não precisa ser só o médico a atender, em certos casos. O enfermeiro é um profissional capacitado, dentro do que os protocolos autorizam. Está habilitado para atender pacientes. No acompanhamento pré-natal, por exemplo, esse atendimento é compartilhado com a enfermagem. É preciso desmistificar isso perante o paciente.

 

A Gazeta: Quais os desafios do atendimento no Hospital e Maternidade Municipal de Pinhais?

Secretária Adriana da Silva: O Hospital é administrado por gestão compartilhada entre a Prefeitura e uma Organização Social (OS) do ramo de saúde. Em 2019, houve troca de empresa gestora, o que tem demandado ajustes com a nova equipe e questões para reajustar. Também é um ponto a ser ajustado o encaminhamento da demanda por atenção primária exclusivamente para as Unidades de Saúde, deixando a UPA 24 horas somente para as emergências. Porém, faltam médicos nas Unidades de Saúde. A decisão do Governo Federal de encerrar o programa Mais Médicos gerou uma progressiva falta de médicos nos postos de saúde em Pinhais, à medida em que esses profissionais foram se desligando do programa extinto. Em 2019, perdemos seis médicos, ficamos com apenas sete. O programa Médicos pelo Brasil, lançado pelo Governo Federal em substituição ao Mais Médicos, não contempla todos os municípios, a exemplo de Pinhais, que possui elevado IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

 

A Gazeta: Que medidas o município tem adotado para suprir a falta de médicos nas Unidades de Saúde?

Secretária Adriana da Silva: Em novembro de 2019, a Prefeitura realizou uma seleção, via PSS (Processo Seletivo Simplificado), para contratação imediata de 20 médicos. Dos 20 aprovados, apenas um assumiu o cargo em novembro. Estamos chamando o 22º aprovado, pois de 240 inscritos, 120 foram aprovados. Ainda, faremos outro concurso para carga horária semanal de 20 horas, sendo quatro horas diárias. O que acontece é que muitos fazem o concurso e depois não tomam posse no cargo porque encontram outro emprego que consideram mais interessante. Houve médicos que assumiram em dezembro e já saíram, pois optam por fazer a prova para bolsa de residência médica, que inicia em março. Isso impacta na oferta de médicos nas Unidades de Saúde, também.

 

A Gazeta: Como está a contrapartida do Governo Federal, via Ministério da Saúde, em investimentos no município?

Secretária Adriana da Silva: A partir de fevereiro, deverá ser lançado em Pinhais o programa do Governo Federal, Saúde na Hora, de financiamento para equipes de Saúde da Família. São recursos que chegarão às Unidades de Saúde da Família, que farão a estruturação do programa. Deverão ser contempladas as Unidades de Saúde com, no mínimo, três equipes de Saúde da Família, cumprindo carga horária de 60 horas semanais, de segunda a sexta-feira, sendo 12 horas ininterruptas, preferencialmente. A partir de fevereiro, gradualmente, a expectativa é de que quatro Unidades de Saúde da Família sejam contempladas – Weissópolis, Maria Antonieta, Ana Nery e Vargem Grande -, estendendo-se o atendimento das 7 horas da manhã até às 19 horas. O objetivo é ampliar o atendimento em atenção primária.

 

A Gazeta: Para agilizar o atendimento nas filas das Unidades de Saúde, que medidas a Secretaria tem adotado?

Secretária Adriana da Silva: Estamos reformulando o sistema de atendimento a partir do conceito de disponibilidade, atuando nos agendamentos futuros, com prazo de marcação entre 30 a 60 dias até a consulta. O que acontece é que tem havido uma alta taxa de ausências às consultas marcadas antecipadamente, entre 30 a 60 dias antes. O usuário acaba não esperando todo esse tempo para a consulta e, no intervalo, busca outros médicos e não vai à consulta marcada com muita antecipação. Cerca de 50% das consultas agendadas não eram realizadas, por falta de comparecimento do paciente. E não dava mais tempo de encaixar outro paciente, em cima da hora, na agenda do médico. Então, a ideia é trabalhar com uma agenda diária, para o paciente ser atendido de preferência no mesmo dia em que chega ao posto. O objetivo é garantir 70% de disponibilidade diária de consulta para quem está na fila do dia. Queremos uma agenda de no máximo sete dias para obtenção da consulta, caso o usuário não seja atendido no mesmo dia. Estamos fazendo um processo de remanejamento das agendas futuras. Essa é uma diretriz do Ministério da Saúde, aliás. Estamos implantando ajustes em função desse quantitativo mínimo de atendimentos diários. Os 30% dos atendimentos ficarão para consultas pré-agendadas, a exemplo de programas de atendimento à gestante, ao hipertenso, ao diabético.

 

A Gazeta: Quais os investimentos da Prefeitura na ampliação do atendimento em saúde primária nas Unidades de Saúde?

Secretária Adriana da Silva: No último ano, temos dado continuidade ao processo de ampliação da oferta de serviços, a exemplo de ampliação e reformas das estruturas físicas dos postos de saúde. Também temos ampliado, no mínimo, uma equipe de Saúde da Família por ano. Essa equipe faz atendimentos de 4 mil pessoas em atenção básica. Ainda estamos ampliando o projeto de equipes de Saúde Bucal, a partir do atendimento em novas unidades. Para esse ano, o objetivo é ampliar três equipes de atenção primária, com um enfermeiro de 30 horas, e mais uma equipe de Saúde da Família. Estamos pleiteando a construção da Unidade de Saúde do Perdizes. Já fizemos as reformas nas Unidades de Saúde Tebas, Maria Antonieta, Perneta e Esplanada. Fechando o ciclo de reformas e melhorias, temos as obras nas unidades de Saúde Vila Amélia, Vargem Grande, Karla e Weissópolis.

 

A Gazeta: O percentual mínimo anual em investimentos em saúde determinado pela Constituição Federal é de 15% do orçamento municipal. Qual o percentual investido pela Prefeitura de Pinhais na área?

Secretária Adriana da Silva: Pinhais tem saído na frente, indo além do mínimo exigido pela Constituição, tendo investido, de 2013 a 2019, em média mais de 22% de sua receita anual para este fim. Entre esses recursos próprios, destacam-se os investimentos em reformas das Unidades de Saúde da Família Tebas, Esplanada, Emiliano Perneta e Maria Antonieta, em parceria com o Governo do Estado. Além dos mutirões de saúde, diminuindo a demanda por consultas especializadas, em parceria com o governo estadual, também. Desde 2017, temos feito dois mutirões por ano. Vamos intensificar os mutirões esse ano. Foram feitas muitas cirurgias eletivas em diversas especialidades. Vamos conseguir atender demandas maiores neste ano, mais mutirões estão por vir. De 21 mil pacientes na fila de espera, foram reduzidos a 13 mil. Eram pacientes que estavam na fila há dois, três, quatro anos.

 

A Gazeta: O Deputado Federal Luizão Goulart (PRB) obteve, em 2019, R$ 3 milhões em recursos destinados à saúde de Pinhais. Onde esse dinheiro foi investido?

Secretária Adriana da Silva: Esse montante foi destinado ao custeio dos serviços. A partir dessa emenda, ele conseguiu recursos para bancar gastos do dia-a-dia, além da reforma no Hospital Municipal. Foi muito importante essa emenda dentro do orçamento impositivo. O Deputado também obteve um aparelho de Raio-X para a UPA, o que facilita e agiliza os atendimentos, somando-se ao aparelho de Raio-X que já havia no Hospital.

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