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por Noelcir Bello

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Marcelo Jeronymo Gagno, aos 56 anos, já viu muita coisa acontecer no município. É taxista em Pinhais e conhece a cidade como poucos.

Nosso personagem da semana nasceu em Curitiba e veio para Pinhais em 1978. Estudou nos colégios Maria Chalcoski, Arnaldo Busato, João Paulo e finalizou seus estudos no Colégio Metropolitano de Curitiba, que já não existe mais. Marcelo Gagno, que é casado há 25 anos com Alessandra e tem duas filhas, uma de 23 e outra de 13 anos, garante que toda a família adora Pinhais e não pretendem sair daqui.

Após finalizar os estudos, aos 16 anos, conseguiu seu primeiro emprego em uma fábrica de tintas, em Curitiba. Depois de três anos exercendo a função de officeboy, foi trabalhar com seu pai como servente de pedreiro. Também trabalhou de jardineiro, padeiro, ajudante de serviços gerais em uma extinta fábrica de lajes, antes localizada de frente para a sua casa, em Pinhais e, mais tarde, em uma fábrica de molduras de quadros.

Por opção, voltou a trabalhar em Curitiba, em um escritório de auditoria, e mais tarde em um escritório de cobrança. Em 1992, começou a trabalhar como taxista, graças ao convite do seu sogro, que também era. “Meu primeiro carro foi o número 012, de propriedade do seu José Luiz Machado. Depois trabalhei com José de Souza Santos, no carro 003. Passei para o carro 047, até conseguir o meu próprio, o 046. Já são 24 anos de serviços ininterruptos”, lembrou.

O início em Pinhais

A história de Marcelo se confunde e se mistura com de Pinhais, que acaba de comemorar seu 24º aniversário. Ele nos conta que quando Pinhais “nasceu”, era basicamente mato, valetas, um lugar muito perigoso. “No bairro Weissópolis, nem a polícia entrava. Como taxista, fui assaltado oito vezes”, contou.

Na época, quase não havia ônibus, os comércios eram poucos, assim como colégios e postos de saúde. “Era preciso se deslocar até Curitiba para realizar algum tratamento de saúde ou mesmo para poder comprar algo. Sendo assim, o serviço de táxi era muito solicitado.

Os carros eram bastante precários, não eram obrigados a ter quatro portas, muito menos usar o cinto de segurança e não havia Lei Seca.

Quando o shopping center foi inaugurado onde hoje fica o Expotrade, Marcelo lembra que havia um micro-ônibus só para transportar as pessoas até o shopping. “No início, foi bom, mas os lojistas desistiram quando começou a afundar a estrutura, já que era uma região de banhado. Depois veio o Makro Atacadista, que também ajudou a melhorar o serviço de táxi, bem na época da mudança de moeda, do Cruzado para Cruzados Novos. Estes eram os dois únicos grandes comércios da região metropolitana, por isso muitas pessoas vinham de outras cidades para fazer compras e voltavam de táxi. Na época dos Cruzados Novos, no começo dos anos noventa, o povo tinha mais dinheiro, a inflação era menor e o governo havia congelado os preços. O álcool custava 22 centavos o litro e a gasolina, 29 centavos”, disse.

Marcelo conta ainda que só havia um banco, o Banestado, localizado onde hoje fica o Itaú, na Avenida Camilo di Lellis. Não havia ainda nenhuma loja de carros usados e novos.

Trabalhar a noite era muito arriscado

Segundo nosso entrevistado, com o tempo as coisas começaram a melhorar na cidade e outras empresas se interessaram em investir em Pinhais, aumentando o número de empregos. Nesta época, surgiram os “bailões”, o que garantiu mais passageiros para os taxistas. “Os bailões Catariana e Estrela do Sul funcionavam de quinta a domingo, era quando eu trabalhava a noite transportando os passageiros.

Durante os dez anos em que trabalhei à noite, fui assaltado oito vezes. O mais marcante foi o quinto assalto, quando o bandido apertou o gatilho da arma que estava encostada em sua cabeça e a bala, por algum motivo, não saiu”, contou.

Desenvolvimento

Para Marcelo, a Rodovia João Leopoldo Jacomel, até Piraquara, sempre foi um grande problema, já que não atendia a demanda. O outro acesso ao município vizinho, também muito utilizado para levar clientes ao Baile do Pato, tinha muito buraco. “Agora, com a triplicação da Rodovia, certamente ficará melhor”, comemorou.

De acordo com o taxista, Pinhais só melhorou após Luizão assumir o mandato. “Os prefeitos anteriores só falavam em projetos, mas não executavam nada. Agora, as obras estão ocorrendo. Considero Pinhais uma cidade excelente para viver. Porém, precisamos de novos táxis na frota municipal. Hoje, muitos passageiros acabam sendo atendidos por taxistas de outros municípios. Desde a chegada do Expotrade, a demanda sempre é maior que a capacidade de atendimento. De acordo com as estatísticas, são solicitadas cerca de 21 mil corridas por mês, fora as atendidos por taxistas de outros municípios”, afirmou.

Ainda, segundo o nosso entrevistado, os novos bares, parques, bosques, enfim, as novas opções de lazer no município, melhoraram muito a qualidade de vida dos moradores. “A ideia dos shows gratuitos no aniversário da cidade foi ótima, por que toda a família pôde se divertir. Adoro dirigir, não faria outra coisa, mas acredito que os taxistas deveriam ser mais valorizados e lembrados pelas autoridades, isto serviria de incentivo para melhorar ainda mais o atendimento a população”, finalizou.

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