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por Katiuscia Mello Figuerôa

Todos nós, em algum momento de nossas vidas, já ouvimos a frase: “o tempo passa para todos”. O que é verdade. No entanto, pouco sabemos sobre as formas como isso pode acontecer.

Podemos levantar infinitas discussões sobre o tempo e suas relações com o ser humano e as diferentes culturas a partir de diversos pensadores, mas como esse tempo vai passar dependerá da individualidade de cada um, o que abrange muitas questões, como família, profissão, classe social, etc. Além disso, há distintas concepções que fazem referência à idade que se estabelecem a partir de condições históricas, sociais, econômicas, políticas e culturais, determinando diversas representações sociais do idoso e da velhice, assim como as atitudes tomadas frente ao envelhecimento.

Há diversos estudos a respeito da idade. Ela pode ser compreendida como multidimensional, ou seja, depende de diferentes dimensões, como a cronológica, a biológica, a funcional, a psicológica ou a social.

A idade cronológica é aquela marcada por datas e medida pela passagem do tempo desde o nascimento de uma pessoa. Tem a ver com a organização da sociedade. Abrange o processo natural de envelhecimento do corpo humano e seus órgãos vitais. Começa antes de nascermos e se estende por toda nossa vida.

A idade funcional está relacionada ao “funcionamento” de uma pessoa em ambientes físicos e sociais, comparativamente a outros indivíduos de igual idade cronológica. Já a idade psicológica pode ser entendida de duas formas: uma na relação entre idade cronológica e às capacidades psicológicas (percepção, controle emocional, memória e aprendizagem, por exemplo), e a outra tem relação com o senso subjetivo de idade, ou seja, como cada pessoa percebe e avalia a idade cronológica, biológica e social em si e nos demais. Essa dimensão tem uma relação estreita com a forma como envelhecemos.

Por fim, a idade social é aquela determinada a partir dos papeis sociais e expectativas referentes a pessoas de determinadas idades e em determinados grupos sociais ou culturas. Entram nessa definição o tipo de roupa que se veste, os hábitos, a linguagem, o comportamento, a cultura, o gênero, a classe social, etc. Uma marca que se tornou importante na idade social é aquela em que se deixa o mercado de trabalho e em que as pessoas são injustamente rotuladas de “improdutivas” ou “inativas”. Todas essas dimensões da idade se inter-relacionam e fazem parte do processo de envelhecimento, não podendo ser utilizadas de forma isolada para determinar esse período, pois é algo complexo.

Assim, é possível compreender que o envelhecimento não ocorre da mesma forma para todos. A cada dia novas pesquisas apontam para processos de envelhecimento heterogêneos e para experiências individuais que poderão ser positivas ou negativas. Pessoas da mesma idade cronológica podem ter diferentes idades biológicas, funcionais, psicológicas ou sociais. Assim, podemos dizer, sem duvidar, que todos somos jovens ou velhos em relação a algo ou alguém.

O mundo está envelhecendo. Quanto a isso, nos deparamos com a necessidade de revisão dos estereótipos associados à velhice. Esse processo é diferente para cada indivíduo e não deve ser rotulado apenas por perdas, doenças ou acontecimentos ruins.

Katiuscia Mello Figuerôa
Professora dos cursos de Licenciatura e de Bacharelado em Educação Física do Centro Universitário Internacional Uninter

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