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A população de Curitiba, agora, poderá realizar testes rápidos de HIV em duas unidades móveis (trailers), que fornecerão os resultados em pouco mais de 20 minutos.

curitiba01Uma das unidades ficará em praças da cidade e a outra reforçará o programa Consultório na Rua. A iniciativa é parte do programa “A Hora É Agora – Testar Nos Deixa Mais Fortes”, lançado nesta sexta-feira (28), na sede da Prefeitura, e servirá de piloto para futura implantação em outras cidades do País.
O principal foco do programa é à prevenção e o controle do HIV entre gays e homens que fazem sexo com homens (HSH), dois dos grupos mais vulneráveis à infecção pelo HIV, principalmente entre os jovens.
Além da testagem de punção digital em trailers, o programa prevê a criação de uma plataforma virtual (e-Testing), que permitirá aos interessados receber em casa o teste de fluido oral. Assim, a pessoa poderá fazer o autoteste, cujo resultado também será lido em 20 minutos. Esta nova tecnologia deve entrar em funcionamento no início de 2015.
Paralelamente, estão sendo modernizadas as linhas de avaliação e monitoramento, com o objetivo de garantir o atendimento rápido após o diagnóstico. Os usuários dos serviços com resultado positivo serão encaminhados de imediato aos serviços especializados do Sistema Único de Saúde (SUS), para acompanhamento.
A unidade de testagem móvel do programa A Hora É Agora ficará estacionada às sextas-feiras, das 18 às 22 horas, na Praça Osório, e aos sábados, das 18 às 22 horas, em local próximo à Praça Tiradentes. A segunda unidade móvel estará embarcada em uma estrutura do programa Consultório Na Rua – que leva equipes de saúde à população de rua – e seguirá o itinerário programado para o veículo, oferecendo a testagem para a população em situação de rua e usuários de drogas.
A testagem rápida do HIV também pode ser realizada no Centro de Orientação e Aconselhamento (COA)(Rua do Rosário, 144, 6º andar), de segunda a sexta, em horário comercial, no Grupo Dignidade (Avenida Marechal Floriano, 366. Conj. 46, 4º andar, Centro), terças e quintas, das 16h às 20h.
A linha telefônica Disque Agora (3322-2200) estará disponível 24 horas e contará com profissionais capacitados para orientar e tirar dúvidas dos usuários do programa.

Avanços
“Curitiba tem um histórico importante no combate à epidemia. Foi, por exemplo, a primeira cidade a notificar todos os portadores de HIV, e não apenas os doentes de aids”, lembra o secretário municipal da Saúde, Adriano Massuda.
O secretário cita o apoio de infectologistas às equipes da atenção primária como mais um passo nos avanços registrados pela cidade. “A atual gestão trabalha para descentralizar o atendimento aos portadores de HIV, um conjunto de pessoas que têm necessidades de saúde diversas e, por isso mesmo, podem ser bem acompanhadas nas unidades de saúde próximas de suas residências com o apoio de infectologistas. Com este trabalho conseguimos diminuir o tempo de espera para o atendimento e junto a isso, com o trabalho realizado pelo programa Mãe Curitibana, no ano passado não registramos nenhum caso de transmissão vertical do vírus, que é a que passa de mãe para filho durante a gestação”, diz.
De acordo com o infectologista Moacir Pires Ramos, assessor da Secretaria Municipal da Saúde, a aids passou de uma condição de doença aguda, grave e com alta taxa de mortalidade para as atuais características de cronicidade. “Desde meados dos anos 1990 os índices de infectados pelo HIV e de óbitos por causa da aids vêm se mantendo mais ou menos estáveis”, diz. O especialista afirma ainda que a evolução no tratamento da aids teve uma consequência negativa: a redução na prevenção. Segundo Ramos, percebe-se um considerável aumento de exposição ao vírus, principalmente entre jovens, homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas.
“Nestes grupos considerados chaves para o programa, uma das preocupações é com os jovens, que não viveram o grande susto que a epidemia da aids trouxe nos anos 80. Eles precisam estar conscientes da importância do uso do preservativo, mas também devem derrubar o preconceito e o medo de fazer o teste”, disse a vice-prefeita Miriam Gonçalves.

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