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Mesmo sendo considerado pelo MEC um dos municípios livre do analfabetismo, Pinhais incentiva e trabalha pela Educação de Jovens e Adulto

Há quase uma década Pinhais é uma das cidades brasileiras declaradas território livre do analfabetismo. O município obteve este reconhecimento atendendo padrões estabelecidos pelo Ministério da Educação (MEC), que define como território livre aquele que consegue atingir uma taxa inferior a 4% de pessoas não alfabetizadas na população com 15 anos ou mais de idade.

O levantamento realizado pelo Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que cerca de dois milhões de brasileiros aprenderam a ler a escrever na década passada. Pinhais em comparação com o levantamento anterior, do ano 2000, conseguiu reduzir o número de pessoas não alfabetizadas, diminuindo o índice para 3,35%. Apesar de o percentual ser um número aparentemente “pequeno”, ele merece atenção, pois o município ainda tem jovens e adultos que não leem e nem escrevem.

A falta de escolaridade, segundo relatos de profissionais da área da educação, acontece porque a maioria, quando crianças, entrou no mercado de trabalho, precocemente, para ajudar os pais. Também é comum os casos em que meninas ajudavam as mães a cuidar dos irmãos mais novos ou do trabalho doméstico, e os homens começaram a trabalhar na roça. Estes são alguns motivos que explicam o porquê da falta de escolaridade.

Pinhais, mesmo sendo considerado pelo MEC um dos municípios livre do analfabetismo, incentiva e trabalha pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). A modalidade é oferecida gratuitamente em seis unidades de ensino, com turmas no período da manhã e da noite. As matrículas podem ser realizadas a qualquer momento e são destinadas às pessoas a partir de 15 anos. O curso tem duração de dois anos, divididos em três etapas que totalizam a carga horária de 1.200 horas. As aulas acontecem de segunda a sexta-feira.

Uma das unidades de ensino que oferta a EJA é a Escola Municipal Marins de Souza Santos, no bairro Jardim Claudia. O local é o que tem a maior quantidade de alunos, com 50. Segundo a professora da instituição, Hélida Cardoso de Bittencourt, que atua há seis anos na modalidade, é muito gratificante trabalhar com jovens e adultos. Na opinião da educadora, os alunos têm o objetivo de se desenvolver, entrar no mercado de trabalho e vem à escola para realmente aprender, pois não tiveram esta oportunidade na época regular de ensino, quando crianças.

A professora explica que a faixa etária do aluno da EJA é em média dos 15 aos 60 anos, e que eles recebem um tratamento e cuidado especial. O acompanhamento é diário, é verificado o nível de aprendizagem, se está conseguindo ser alfabetizado, adquirindo conhecimento e evoluindo. A educação é realizada de forma didática, com a realização de trabalhos interdisciplinares. Além de receber todo o material didático, o aluno participa de atividades complementares e tem aulas de informática.

Outro detalhe importante e que beneficia os participantes é que o município oferece alimentação. Como há aqueles que durante o dia trabalham, e a noite estudam, ao chegarem na escola antes de entrarem para a sala de aula é servido um lanche ou refeição. O cardápio é diversificado e elaborado por uma nutricionista, sendo ofertado gratuitamente.

Na opinião da professora Hélida, os alunos vêm para aprender e até para se socializarem, pois alguns não têm companhia em casa de familiares ou são viúvos. Mas o que é mais gratificante é que trabalhar com eles traz motivação. “A motivação do professor é ver a evolução do seu aluno. Ainda mais sendo professora de alfabetização, eu vejo a evolução de cada um. Se ele está conseguindo ler, passou para a etapa seguinte. Isto tudo é muito emocionante, tanto para mim, professora, quanto ao aluno por conseguir o objeto dele. Alguns vêm com objetivo de avançar os estudos e até chegar à faculdade” comenta a professora.

Voltar a estudar é uma bela escolha e atitude. Maria Tereza de Jesus tem 60 anos, é moradora do bairro Atuba, e iniciou os estudos no final de 2018. Ela conta que a noite ficava muito sozinha em casa e sempre tinha esta ideia. Pensava muito sobre o assunto, se questionava se não estaria “velha” para começar a estudar, mas pensou bem, viu que pensava errado, e que, principalmente, precisava começar. “Eu fiquei sabendo que a escola tinha o EJA e vim até aqui para conversar e me informar. Hoje, vejo que vir estudar foi muito bom para mim. Porque fiz novas amizades, e os professores, eu acho eles maravilhosos, eu os adoro. Tudo isto incentiva a gente a estudar. Estou aqui na escola e vou até o fim, até terminar”, afirmou.

A atitude de incentivar uma pessoa é muito importante. Se você conhece alguém que não concluiu do 1º ao 5º ano, a antiga 4ª série, ou que ainda não se encontra alfabetizada, e tem 15 anos ou mais, converse com esta pessoa e a incentive a fazer a EJA. Dê o exemplo da Maria que voltou a estudar e também estimula quem precisa. “Eu sempre incentivo quem quer estudar, pois a gente tem que aprender. Se tem a oportunidade, aproveite e estude. Sempre incentivo minhas colegas da sala. E se ouço alguém dizer que está com preguiça de estudar, eu digo: A preguiça você tem que vencer. Porque se você quer algo, tem um objetivo na vida, tem que buscá-lo. Você tem que desafiar a si mesmo” afirmou Maria.

Serviço

Todas as informações sobre o acesso a Educação de Jovens e Adultos (EJA) podem ser adquiridas pelo telefone: (41) 3912-5406 ou diretamente nas escolas.

Em Pinhais, a modalidade de ensino está disponível nas seguintes unidades de ensino:

- E.M. 31 de Março (Atuba): 3912-5551

- E. M. Antônio Andrade (Maria Antonieta): 3912-5594

- E.M. Lírio Jacomel (Jardim Karla): 3912-5578

- E.M. Maria Clalcoski (Centro): 3912-5582

- E.M. Marins de Souza Santos (Jardim Claudia): 3912-5584

- E.M. Professora Thereza Corrêa Machado (Weissópolis): 3912-5588 * Turmas manhã e noite.

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