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A Casa da Mulher Brasileira completa dois anos de atendimento às mulheres vítimas de violência, nesta sexta-feira (15/6). Neste período, foram feitos 21 mil atendimentos, 32 mil encaminhamentos e centenas de vidas foram salvas. Todas que procuraram a Casa são mulheres que sofreram violência física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral. Elas encontraram apoio e a possibilidade se libertar do ciclo de violência.

Para a coordenadora-geral da Casa da Mulher Brasileira (CMB), Sandra Praddo, Curitiba é referência nacional no atendimento humanizado às mulheres vítimas de violência. A Casa funciona 24 horas, durante todos os dias do ano.

“A Casa da Mulher Brasileira integra todos os serviços necessários para que a mulher possa sair da situação de violência, sem ser revitimizada. Atendemos todas que procuram a Casa com respeito e humanidade”, explica Sandra.

A média diária de atendimentos cresceu 45% entre 2016 e 2017. No ano passado, 46 mulheres foram atendidas diariamente. Os dados refletem a popularização da informação e do trabalho de enfrentamento da violência em Curitiba, segundo Sandra.

De acordo com a assessora de Políticas para Mulher da Prefeitura, Terezinha Beraldo Pereira Ramos, a CMB é um equipamento emblemático no enfrentamento à violência contra a mulher.

“Isto é resultado de uma luta constante dos organismos de políticas para as mulheres e dos movimentos sociais, para que as mulheres em situação de violência pudessem ser atendidas em um mesmo espaço físico, tendo assegurados os seus direitos, enquanto direitos humanos”, ressalta Terezinha.

Entregue a Curitiba em junho de 2016, a Casa integra o Programa Mulher: Viver sem Violência do Governo Federal e conta com participação de vários parceiros. Administrada pelo município, atualmente, é a única Casa no Sul e Sudeste do país – outras três unidades estão em funcionamento em Campo Grande (MS), Brasília (DF) e São Luís (MA).

Atendimento humanizado

As mulheres e seus filhos entram pela porta da frente e seguem um caminho de apoio e transformação. Dentro da Casa, elas são acolhidas e passam pela triagem e escuta qualificada feita por psicólogas e assistentes sociais, com objetivo de minimizar o impacto da violência sofrida e resgatar a autoestima, autonomia e cidadania.

Elas são direcionadas para outros serviços da rede de atendimento, como áreas da saúde, educação, delegacia e a confecção de documentos com acompanhamento e transporte.

Aquelas que correm risco iminente de morte e que precisam de abrigo ficam no alojamento de passagem da CMB por até 72 horas. São acomodas em quartos e recebem toda alimentação e itens básicos para estadia no local – que conta com uma brinquedoteca e atividades para as crianças.

Durante a permanência, podem participar de atividades que visam a restabelecer a confiança e a autoestima da mulher. De acordo com Sandra, a empresa “Cílios de Diva” propicia um novo olhar para a vaidade feminina com a colocação de cílios, design de sobrancelha. As aulas de automaquiagem são ministradas pelo Centro Europeu.

Juizado, Ministério Público e Defensoria Pública mantêm equipes dentro da Casa da Mulher Brasileira. Assim como a Polícia Militar que faz operações de busca dos pertences das vítimas.

A Guarda Municipal garante a segurança do espaço e a Patrulha Maria da Penha trabalha para que as medidas protetivas sejam respeitadas por meio de visitas periódicas às residências. Caso haja descumprimento, a prisão do agressor é efetuada.

A porta de saída para as mulheres é a participação em cursos profissionalizantes, cadastramento e entrevistas de emprego, por meio do FAS Trabalho. “Muitas vezes, as mulheres que não têm apoio financeiro e psicológico voltam a morar com os agressores. Por isso, o nosso trabalho é tão importante para a promoção da autonomia e o empoderamento feminino”, explica Sandra.

Nenhuma mulher a menos

O Brasil é o quinto país do mundo que mais registra casos de feminicídios, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Mesmo com o respaldo de leis como a “Maria da Penha” e a “Lei do Feminicídio”, dados levantados pelos Ministérios Públicos Estaduais, entre março de 2016 e março de 2017, apontam que oito mulheres morrem por dia, em decorrência do crime no país.

Para Terezinha Beraldo, que também é a assessora de Direitos Humanos da Prefeitura, quando os números ganham rostos e as histórias são contadas, fica ainda mais evidente a importância das políticas públicas para as mulheres no enfrentamento à violência.

História de violência e superação como a vivida pela empresária Marcela (nome fictício), que durante os 20 anos de casamento foi agredida fisicamente, e psicologicamente pelo ex-marido.

Aparentemente formavam uma família feliz, com dois filhos e uma empresa. A convivência dentro de quatro paredes, no entanto, era de constantes brigas e ameaças. Seguidas de pedidos de desculpas e promessas românticas. Um ciclo de violência que só teve fim depois que ela foi levada ao hospital.

“Acordei urinada e muito ferida. Ele me bateu até eu ficar inconsciente e mentiu para os médicos, dizendo que eu havia sido assaltada”, lembra. Assim como na maioria dos casos de violência doméstica, Marcela tinha medo. “Medo de morrer, medo do julgamento social, medo de perder os filhos, medo do futuro”, conta a vítima.

Foi quando ela fugiu de São Paulo para Curitiba e conheceu a Casa da Mulher Brasileira. “Lembro que cheguei com o rosto ainda marcado pelas agressões e fui acolhida imediatamente. A recepcionista me abraçou com olhos. Fui encaminhada para conversar com a psicóloga e me senti compreendida e fortalecida”, comenta Marcela.

Durante os dias que permaneceu abrigada na CMB, a empresária pode registrar boletim de ocorrência contra o ex-marido e obter uma ordem restritiva. Revelou para a família toda a história de violência entre o casal e encorajou-se a sair do ciclo de violência.

“Algumas pessoas desconfiavam que eu fosse agredida e me julgavam. Falavam que eu gostava de apanhar. Depois que eu fugi é que entenderam a gravidade da situação”, lamenta Marcela.

Após um ano, a empresária tenta retomar a vida em São Paulo. Ela relembra os dias em que esteve na Casa da Mulher Brasileira com gratidão e conta que “se sentir livre é a melhor sensação que uma mulher pode ter”.

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O Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher é um serviço do Governo Federal gratuito, que funciona 24h por dia, todos os dias do ano.

Serviço

Casa da Mulher Brasileira
Local: Av. Paraná, 870 – Cabral, Curitiba. Horários de atendimento:24 horas por dia. Todos os dias do ano. Telefone: (41) 3252-1048.

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