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Plano de Recuperação: Fim da alíquota intermediária do ITBI

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Imóveis de R$ 140 mil a R$ 300 mil deixarão de usufruir da alíquota reduzida de ITBI (Imposto Sobre a Transmissão de Bens Imóveis), hoje em 2,4%, para pagar 2,7% igual aos demais.

O mesmo projeto de lei complementar detalha quem deve recolher o imposto, responsabiliza os tabelionatos caso ocorram fraudes e prevê a atualização do valor venal dos imóveis.

“De 2001 até hoje, muitas alterações legais e jurisprudenciais ocorreram, mas com relação ao ITBI a legislação municipal não acompanhou a atualização”, diz a justificativa da proposição, assinada pelo Prefeito Rafael Greca. Atualmente, no Código Tributário, o capítulo referente ao ITBI tem 26 itens. Com as mudanças propostas, serão 55 itens que normatizarão o pagamento do imposto.

Das seis seções, a única que “encolheu” é a relacionada às alíquotas, na qual a prefeitura quer suprimir o item 3, que tratava do desconto para imóveis com valor entre R$ 140 mil a R$ 300 mil. “Ocorre que um imóvel nessa faixa de valores não pode ser considerado popular. Além disso, para os programas habitacionais de interesse social já existe a isenção prevista na lei 72/2009”, defende o Executivo.

“Caso não existisse a alíquota de 2,4% teríamos tido um acréscimo de R$ 4.152.631,70 na arrecadação”, completa o documento. A mensagem da prefeitura diz ainda que “em São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Fortaleza o tributo é cobrado com base na alíquota de 3%”. A isenção para bens com valor venal até R$ 70 mil continua, assim como a faixa de 0,5% para imóveis até R$ 140 mil.

Fim do parcelamento

A proposição encerra o parcelamento do ITBI, pois segundo o Executivo “não se justifica a manutenção de toda uma estrutura que demanda diversos funcionários e processos para atender esta pequena demanda, inclusive quando não há quitação das parcelas no prazo”. Dados da prefeitura apontam que, desde 2014, apenas 6,44% dos pagamentos do imposto foram parcelados.

Quem paga

Um artigo será acrescentado à legislação em vigor, especificando que recolherão o ITBI em operações de compra e venda; dação em pagamento; permuta; instituição de usufruto, uso e habitação; mandato em causa própria ou com poderes equivalentes para a transmissão de bem imóvel ou de direito a ele relativo e seu subestabelecimento; arrematação ou adjudicação em leilão, hasta pública ou praça; transferência de bem imóvel ou direito real sobre imóveis de pessoa jurídica para sócios ou acionistas, ou como pagamento de capital.

Valor venal

Na seção que trata da base imponível, no artigo 8º, é incluída uma cláusula de atualização do valor venal dos imóveis. Diz o texto: “os valores venais serão atualizados periodicamente, de forma a assegurar sua compatibilização com os valores praticados no mercado imobiliário do Município, através de pesquisa e coleta amostral permanente”.

A atualização está relacionada a outra regra, sobre o cálculo do ITBI, que estipula que o imposto será cobrado sobre o valor da negociação, a não ser quando o valor venal atribuído pelo Município seja superior a este. Caso isso ocorra, o porcentual incidirá sobre o valor venal oficial. Pelo projeto, também é acrescentada a responsabilização solidária “os notários, os oficiais de Registro de Imóveis e seus prepostos” nos casos de “omissão de dados ou de documentos demonstrativos”.

 

Vereadores reclamam de mensagens ofensivas recebidas pela internet

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Na sessão plenária de terça-feira (4), alguns vereadores se queixaram da maneira como têm sido pressionados sobre os projetos encaminhados pelo Executivo à Câmara Municipal para realizar um plano de recuperação às finanças do município. O debate iniciou após o vereador Helio Wirbiski (PPS) usar a tribuna para se manifestar contra a forma “desrespeitosa” como tem sido tratado.

Helio Wirbiski relatou que recebeu e-mails e mensagens via celular em tons de ameaça. Ele também citou as montagens que circulam pela internet, chamados de memes, com fotos dos vereadores em que insinuam que os parlamentares seriam cúmplices em um roubo nos cofres do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba (IPMC).

“Quando recebo mensagens dizendo que sabem onde eu moro, que sabem da minha região, que a partir de agora vou ser contingenciado, vou ter problemas, não acho isso respeitoso”, conta. “Eu tenho que pensar no funcionalismo, tenho que pensar no professor. Mas tenho que pensar no conjunto da minha cidade, que é quem paga impostos, que é quem contribui para pagar o salário desses funcionários públicos”, completa.

“Eu só fico um pouco constrangido porque muitos sindicalistas, não todos, e pessoas do meio do funcionalismo, têm usado de algumas formas desrespeitosas. Desrespeitando meu mandato e a minha dignidade. Eu tinha o sonho de ser vereador, assim como eu acho que cada um de vocês teve. Eu lutei muito para ser. E o princípio básico da democracia é representar o bem comum e é o que eu quero fazer”, frisou.

O vereador Dr. Wolmir Aguiar (PSC) informou que já fez uma denúncia sobre a montagem referente ao seu mandato, com o mesmo teor, no Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), da Polícia Civil. “Fiz uma queixa-crime e estamos pedindo a apuração para identificar quem fez e representar criminalmente”. Para ele, é necessário haver respeito mútuo entre vereadores e servidores públicos. “Muitos [servidores] que estão mandando mensagens não estão se identificando, acho que têm que ter o caráter de se identificar. Diálogo sim, mas agredir não. Entendo que estamos em um novo tempo e ninguém trabalha aqui sob ameaça”, disse.

Já Noemia Rocha (PMDB) atribui algumas atitudes extremas ao “desespero” causado pela falta de informações dos servidores sobre os projetos do prefeito que mexem na carreira do funcionalismo e chegaram para análise na Câmara. “Tenho observado neles um clamor, mas acho que não têm a intenção de afrontar os vereadores”, ponderou.

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