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por Noelcir Bello

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Tivemos a honra de conversar com um dos fundadores da Vila Maria Antonieta, Adolfo Perzsike. Natural de Joinville, hoje aos 82 anos, é casado há 57 anos com Maria Zilda Perzsike, que tem 78 anos.

Adolfo nos contou que chegou a região em 1964, vindo de Curitiba. Nos primeiros quatro anos não contava com energia elétrica e, por isso, passava roupa com ferro a brasa e cozinhava no fogão a lenha, hábito que o casal faz questão de manter até hoje.

Conheceu dona Maria Antonieta dos Santos, foi amigo de seu Antonio Andrade, que era cunhado dela. Também conviveu com Carlos Pullmann, Ana Koser e os ex-prefeitos Zielonka e João Costa, enfim, muitas pessoas importantes para a Vila. Em 1982, foi candidato a vereador, mas, hoje, não tem mais a pretensão de ser candidato.

Fundador do bairro, sempre ajudava os recém-chegados

Adolfo acompanhou o início do bairro. Quando ele chegou para morar haviam poucas ruas e a água era obtida através dos poços perfurados nos quintais. O local era conhecido como Vila IAPTEC (Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Estivadores e Transportes de Cargas), já que o Instituto havia construído 44 casas na região onde hoje está localizado o CAIC.

As casas foram construídas com a intenção de se tornarem as primeiras moradias do bairro, no entanto, pela falta de água encanada, não foi possível. A única forma de obter água no local era do banhado, ou seja, imprópria para consumo. Os ônibus não circulavam por ali, pois poucas ruas estavam abertas para circulação.

Adolfo trabalhava em uma fábrica de móveis em frente ao Hospital Cajuru, em Curitiba, e sempre ia trabalhar de trem, porém eles eram elétricos, e muitas vezes acabava a energia. Com isso, o trem parava e todos chegavam atrasados no serviço. A Rodovia João Leopoldo Jacomel era de chão batido, com muito pó e muita lama.

Cada novo morador que chegava, Adolfo fazia questão de ajudar a construir suas casas, arrumar seus terrenos e a construir o poço para água. Ele esperava que o novo morador se animasse, gostasse do lugar e ficasse, assim sua esposa e filhos teriam companhia enquanto ele passava o dia trabalhando em Curitiba.

Surgimento da Vila Maria Antonieta

A origem do nome da Vila veio em homenagem a Maria Antonieta dos Santos, proprietária de toda a região, naquela época.
Adolfo afirma que nesta época não existia nada na Vila e até para cortar o cabelo era preciso ir à Curitiba. O ônibus só ia até onde hoje está instalado o Costelão do Pescador. O primeiro carro da Vila foi de propriedade do Carlos Pullmann, dono do armazém da Vila. Inclusive, foi ele quem levou a dona Maria Zilda para ganhar um dos seus três filhos.

Em 1975, ao começar a pavimentação da Rodovia João Leopoldo Jacomel, as coisas começaram a melhorar. A inauguração do shopping, onde hoje fica o Expotrade, também ajudou muito no crescimento de Pinhais. “O bairro todo era composto pelas chamadas invernadas, que eram as pastagens para o gado. Os produtores leiteiros do Guarituba soltavam os animais aqui e eles vinham pastar”, contou Adolfo.

Organizou o primeiro Desfile Cívico da Vila, o primeiro time de futebol e construiu a primeira igreja do bairro

Nosso ilustre personagem tem foto do primeiro desfile de Sete de Setembro realizado na Avenida Maria Antonieta, em 1973. Nesse ano, Adolfo fazia parte da Associação de Pais e Mestres, por isso resolveu organizar o desfile. Antes, os mesmos eram realizados na Avenida Iraí e os moradores da Vila tinham dificuldades para chegarem até lá.

A diversão do povo da região era o futebol e, como presidente do time, ele organizava tudo. “Para jogar contra o time do bairro Vargem Grande, a gente atravessava por dentro do Rio Palmital. Por ali, também era a única passagem para a torcida e as mulheres, que carregavam os carrinhos de bebê, e claro que molhávamos, desde as roupas até as chuteiras. Mas a torcida era muito animada e ficava na lateral do campo, em meio ao alagado, gritando e incentivando seus compadres e maridos que jogavam”, lembrou.

Foi membro fundador e presidente da primeira igreja do bairro, a Igreja Luterana, que mais tarde deu nome à rua onde mora, a Rua dos Luteranos. Adolfo sempre ajudava muito as pessoas e, devido à grande amizade que manteve com o falecido Trevisan, presidente da Igreja Católica, ajudou também a construir esta igreja e a arrumar as barracas para as festas.

Orgulhoso, conta que em troca, mais tarde, acabou ganhando do padre os bancos para a Igreja Luterana, que antes só tinha cadeiras doadas pelos membros da comunidade.

Tempo bom

Até hoje, ele e sua esposa preservam os velhos rádios de pilha, que utilizam para ouvir o programa da igreja, às sete horas da manhã. Gosta muito de futebol, torce para o Coritiba e adora ouvir os programas esportivos.

Nosso entrevistado recorda que naquele tempo não havia violência e os únicos problemas eram os animais que dormiam no caminho por onde eles precisavam passar, que acabavam por assustar as pessoas. Eles também vinham se coçar nas quinas das casas, que eram feitas em madeira.

Pinhais no caminho certo

Antes de concluir a entrevista, Adolfo disse ser um admirador do trabalho do atual Prefeito de Pinhais, Luizão, pois ele asfaltou toda a Vila e melhorou muita a coisa no Município. “Está bem melhor viver em Pinhais. Deixo apenas como sugestão, visando melhorar o trânsito até Piraquara, que seja feita outra opção, ligando a Rua Leila Diniz até o Guarituba”, finalizou.

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