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O trabalho de longo de prazo de obras, manutenção e limpeza da estrutura de drenagem dos municípios é fundamental para evitar ou, pelo menos, diminuir os problemas causados pelas fortes chuvas. O alerta é do engenheiro civil Augusto Meyer Neto, diretor do Departamento de Pontes e Drenagem da Secretaria Municipal de Obras de Curitiba.

Na capital paranaense, a carteira de macrodrenagem – grandes obras nos rios que recebem as águas do sistema pluvial da cidade – soma R$ 480 milhões. Além disso, o trabalho de recolhimento de entulho e lixo – tanto das galerias pluviais, quanto da beira dos rios e das ruas – é permanente. Em 2018, a média de recolhimento de entulhos e lixo das ruas e rios foi de 52 mil toneladas por mês. Com a destinação correta, lixo e entulho não se transformam em barreiras para o escoamento da água.

O alerta de Meyer vem no momento em que o Rio de Janeiro enfrenta o caos urbano, que incluiu perda de vidas, causado pelas fortes chuvas que caíram na segunda-feira (8/4). “Ainda que a realidade de cada cidade e as ocorrências sejam específicas, o planejamento adequado de obras e a manutenção permanente do sistema são fundamentais”, diz o engenheiro, que trabalha há 40 anos no setor.

Chuva em Curitiba

Em Curitiba, a chuva mais recente que causou impacto de alagamento de vias ocorreu em 21 de fevereiro. Em apenas duas horas, choveu na capital quase 120 mm, ou 80% do esperado para mês inteiro. Apesar da intensidade, em menos de 30 minutos, as águas já haviam escoado nos pontos em que haviam se acumulado.

Segundo Meyer, isso demonstra que o sistema funcionou adequadamente. Fevereiro terminou com mais de 294 mm de chuvas, 77% a mais do que a média histórica. “Nenhum sistema de macrodrenagem suporta chuvas muito excepcionais”, diz. “Mas é importante levar em conta como as cidades estão estruturadas para cada caso. Quanto melhor o sistema, mais rapidamente a água escoa e minimiza os riscos de causar transtornos à população.”

Outras cidades

Nesta segunda-feira (8/4), a chuva foi bastante acentuada no Rio de Janeiro. O bairro carioca do Jardim Botânico foi um dos pontos com maior precipitação: 149 mm, maior do que o esperado para o mês inteiro. O alagamento nas ruas, no entanto, continuava horas depois de a chuva ter parado ou diminuído bastante.

Segundo relatos das reportagens, o lixo acumulado prejudicou a vazão da água.

Em março, a capital paulista também registrou problemas sérios com chuvas. Nos primeiros dez dias, a precipitação havia chegado a 90% da chuva prevista para todo o mês (160 mm e 177 mm, respectivamente), segundo a prefeitura local. Na segunda-feira (11/3), no começo da tarde, muitas ruas ainda estavam inundadas e os principais rios que cortam a capital paulista se encontravam bem acima dos níveis normais.

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